1. O Mistério que Determina o Destino do Cosmos.
A matéria escura é um dos maiores mistérios da astrofísica moderna. Ela não emite, absorve nem reflete luz, mas representa aproximadamente 27% de toda a massa-energia do Universo (em comparação com 5% da matéria comum). Sua existência foi proposta na década de 1930 por Fritz Zwicky, quando ele observou que galáxias em aglomerados se moviam rápido demais para serem mantidas unidas apenas pela gravidade da massa visível.
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2. Anomalias Gravitacionais: A Primeira Dica.
Na década de 1970, Vera Rubin confirmou a hipótese de Zwicky estudando a rotação de galáxias espirais. Estrelas na periferia giravam na mesma velocidade que aquelas no centro — desafiando as leis de Kepler. Isso implicava que um “halo” invisível de matéria existia ao redor das galáxias, criando gravidade adicional. Sem ela, as galáxias simplesmente se desintegrariam.
3. O que poderia ser? Hipóteses e candidatos.
A hipótese mais popular é a das WIMPs (partículas massivas de interação fraca). Essas partículas hipotéticas interagem quase exclusivamente com a matéria comum, exceto gravitacionalmente. Outros candidatos incluem áxions, neutrinos estéreis e até buracos negros primitivos. Até o momento, nenhuma dessas partículas foi detectada em laboratórios, apesar de décadas de buscas com detectores subterrâneos como LUX ou XENON.
4. Lentes gravitacionais: evidências indiretas.
Um dos métodos mais convincentes para “ver” a matéria escura é a lente gravitacional. Objetos massivos distorcem o espaço-tempo, desviando a luz de galáxias distantes. Ao analisar as distorções nessas imagens, os astrônomos estão construindo mapas da distribuição dessa massa invisível. Assim, em 2007, o projeto do Telescópio Espacial Hubble visualizou a estrutura da matéria escura em um aglomerado de galáxias pela primeira vez.
5. Simulações computacionais – como é o Universo “escuro”.
Simulações em supercomputadores (por exemplo, os projetos Illustris ou Millennium) mostram que a matéria escura forma uma “teia” cósmica: fios e nós nos quais a matéria comum se condensa, formando galáxias. Sem a matéria escura, o Universo seria homogêneo e sem vida – não haveria estrelas, planetas e nem nós.